Durante muito tempo, aparecer no Google foi uma das principais preocupações de quem vende pela internet. Hoje, esse cenário está mudando.

Cada vez mais pessoas usam ferramentas de inteligência artificial para pesquisar produtos, comparar opções e pedir recomendações. Em vez de abrir vários links, o consumidor pode simplesmente perguntar qual é o melhor produto para uma necessidade específica e receber uma resposta pronta.

Isso cria uma nova pergunta para quem trabalha com comércio eletrônico:

A sua marca está preparada para ser encontrada, compreendida e recomendada por uma inteligência artificial?

O que é GEO?

GEO é a sigla para Generative Engine Optimization. Em português, o termo pode ser entendido como otimização para mecanismos generativos.

Na prática, GEO é o conjunto de ações que ajuda uma marca, um produto ou um conteúdo a ser compreendido por ferramentas de inteligência artificial.

É importante não confundir isso com uma fórmula mágica.

Não existe garantia de que uma empresa será recomendada pelo ChatGPT, pelo Gemini, pela Perplexity ou por qualquer outra plataforma. Também não existe um código secreto capaz de colocar uma marca automaticamente dentro das respostas.

O objetivo do GEO é aumentar as chances de a empresa ser considerada relevante quando uma inteligência artificial busca informações sobre determinado assunto.

Como uma inteligência artificial encontra uma marca?

As ferramentas de IA podem usar diferentes fontes para construir uma resposta. Elas podem consultar páginas da internet, catálogos de produtos, avaliações, conteúdos especializados, informações de marketplaces e outras bases disponíveis.

Por isso, a marca precisa deixar claro o que vende, para quem vende e quais problemas resolve.

Imagine um consumidor procurando uma cadeira para trabalhar oito horas por dia em um apartamento pequeno. Ele pode perguntar a uma inteligência artificial quais modelos são confortáveis, compactos e adequados para quem sente dores nas costas.

Para que uma marca tenha chances de aparecer nessa resposta, não basta publicar que sua cadeira é “moderna” ou “de alta qualidade”. É mais útil informar dimensões, material, peso suportado, tipo de apoio, regulagens disponíveis e perfil de uso indicado.

Quanto mais clara for a informação, mais fácil será para a ferramenta entender quando aquele produto faz sentido.

SEO e GEO são a mesma coisa?

Não.

O SEO tradicional busca melhorar a presença de uma página nos mecanismos de pesquisa. Já o GEO busca tornar o conteúdo mais compreensível e aproveitável em respostas geradas por inteligência artificial.

Apesar da diferença, as duas estratégias estão ligadas.

Um site bem estruturado, com informações corretas, conteúdo útil e boa organização, continua sendo importante. O GEO não substitui o SEO. Ele amplia o trabalho para um ambiente no qual o consumidor não recebe apenas links, mas uma resposta sintetizada.

Como aplicar GEO na operação de um marketplace

O primeiro passo é revisar o catálogo.

Muitos anúncios possuem títulos genéricos, descrições copiadas do fabricante e informações técnicas incompletas. Isso dificulta a decisão do cliente e também a compreensão por sistemas automatizados.

Um anúncio chamado apenas “Fone Bluetooth Premium” diz muito pouco.

Uma descrição mais útil informa a versão do Bluetooth, a autonomia da bateria, a compatibilidade, o peso, a resistência a respingos, o conteúdo da embalagem e a existência ou não de cancelamento de ruído.

Também é importante manter as informações consistentes em todos os canais.

Se o preço apresentado no site for diferente do marketplace, ou se a disponibilidade estiver desatualizada, a marca perde confiabilidade. Isso vale para estoque, prazo de entrega, garantia, dimensões e características do produto.

Outra ação importante é usar as dúvidas dos clientes como pauta de conteúdo.

As perguntas recebidas no atendimento, nos comentários dos anúncios e nas avaliações mostram o que o consumidor realmente quer saber.

Uma loja de cafeteiras, por exemplo, pode publicar conteúdos sobre compatibilidade de cápsulas, consumo de energia, tamanho do reservatório, facilidade de limpeza e diferenças entre os modelos.

Esse tipo de informação ajuda o cliente e aumenta a clareza sobre os produtos oferecidos.

Conteúdo genérico não constrói autoridade

Publicar muitos textos não significa, necessariamente, construir relevância.

Um conteúdo útil precisa responder uma dúvida real e ajudar o leitor a tomar uma decisão.

Em vez de publicar um artigo genérico chamado “Como escolher uma televisão”, uma loja pode criar um conteúdo explicando qual tipo de tela funciona melhor em ambientes muito iluminados.

Também pode mostrar como calcular o tamanho da televisão de acordo com a distância do sofá ou quais conexões são importantes para determinados videogames.

Conteúdos específicos tendem a ser mais úteis porque resolvem problemas concretos.

A melhor pergunta para avaliar uma publicação é simples:

O cliente consegue tomar uma decisão melhor depois de ler este conteúdo?

A reputação também conta

Uma marca não se torna confiável apenas porque afirma ser a melhor.

Avaliações reais, informações verificáveis, artigos assinados, presença em veículos reconhecidos e boas experiências de clientes ajudam a construir autoridade.

Isso não significa comprar avaliações ou criar conteúdos artificiais para elogiar a própria empresa.

Além de ser uma prática arriscada, esse comportamento pode prejudicar a reputação da marca e gerar penalidades nas plataformas.

A confiança precisa ser construída com informações verdadeiras e experiências legítimas.

Como saber se a marca está aparecendo nas respostas?

A empresa pode acompanhar algumas perguntas importantes do seu mercado e repeti-las periodicamente em diferentes ferramentas de inteligência artificial.

Um vendedor de móveis, por exemplo, pode testar perguntas sobre móveis para apartamentos pequenos, produtos adequados para home office ou materiais mais resistentes para casas com animais.

O objetivo não é apenas verificar se a marca foi mencionada.

Também é importante observar quais concorrentes aparecem, quais fontes são utilizadas e se as informações apresentadas estão corretas.

Uma recomendação errada pode ser pior do que não aparecer.

Conclusão

Ser recomendado por uma inteligência artificial não depende de um truque.

Depende de ter produtos bem descritos, informações atualizadas, conteúdo útil e uma reputação construída com consistência.

O GEO representa uma mudança importante porque o consumidor já não pesquisa apenas por meio de listas de links. Ele começa a fazer perguntas completas e espera respostas diretas.

Nesse cenário, as marcas mais preparadas serão aquelas que conseguirem explicar, com clareza e honestidade, o que vendem e por que seus produtos fazem sentido para determinadas pessoas.

Antes de pensar em como convencer uma inteligência artificial a recomendar sua marca, vale fazer uma pergunta mais simples:

As informações disponíveis hoje são suficientes para que qualquer pessoa entenda e confie no seu negócio?

É aí que o trabalho começa.

Dr. Ernesto Ferreira Neto – Advogado especialista em Direito Digital e Empresarial

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